LHG projeta “estrada rolante” de 12 km para reduzir circulação de caminhões em Corumbá e Ladário

Para diminuir o fluxo de caminhões que transportam minério na região de morraria entre Corumbá e Ladário, a LHG Mining — empresa do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista — planeja implantar um Transportador de Correia de Longa Distância (TCLD), uma espécie de “estrada rolante” com pelo menos 12 quilômetros de extensão. A distância é semelhante ao trajeto entre o centro de Campo Grande e o bairro Moreninhas.

Um dos primeiros passos para viabilizar o projeto foi dado nesta terça-feira (10), com a publicação de decreto do Governo do Estado que desapropria 846 hectares pertencentes a nove proprietários ao longo do traçado da futura correia transportadora. Desse total, 338,5 hectares já pertencem à mineradora, enquanto 507 hectares estão em nome de terceiros. O valor das indenizações ainda não foi definido.

Investimento bilionário e ampliação da produção

A instalação do TCLD integra um pacote de investimentos de R$ 4,03 bilhões anunciado pela empresa desde o ano passado. Segundo o Estudo de Impacto Ambiental (EIA), a meta é ampliar a produção anual de minério de 12 milhões para 25 milhões de toneladas.

O estudo detalha que o minério beneficiado será transportado por uma correia coberta de 12 quilômetros até o pátio de estocagem, onde serão formadas pilhas de produtos. A cobertura tem como objetivo evitar o arraste de poeira pelo vento.

Inicialmente, o projeto prevê que a correia leve o minério até as proximidades da ferrovia, de onde o transporte seguiria por trem até o porto Gregório Curvo, no distrito de Porto Esperança. A partir dali, a carga é escoada pelo Rio Paraguai rumo ao mercado internacional.

Transporte rodoviário provisório

Desde dezembro do ano passado, no entanto, o transporte ferroviário está suspenso, e todo o minério tem sido levado por caminhões entre o distrito de Maria Coelho e Porto Esperança — percurso que, por trem, era de 46 quilômetros.

Com isso, centenas de caminhões passaram a trafegar pela BR-262. Apenas nos primeiros nove meses do ano passado, a LHG embarcou 4,2 milhões de toneladas de minério pelo terminal Gregório Curvo.

Redução de impactos e mais segurança

De acordo com o coordenador de Mineração da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semadesc), Eduardo Pereira, a implantação do TCLD representa avanço ambiental e de segurança.

Segundo ele, a correia até o terminal ferroviário do Menkc retirará cerca de 300 caminhões por dia das estradas sinuosas que cortam a morraria. Atualmente, cada veículo transporta cerca de 40 toneladas de minério, partindo de áreas com altitude aproximada de 900 metros.

Como as estradas possuem muitas curvas, o trajeto rodoviário é mais longo que os 12 quilômetros previstos para a correia, que será praticamente em linha reta. A estimativa é de que o sistema transporte cerca de 12 mil toneladas de minério por dia.

“Isso significa redução expressiva das emissões de CO, mais segurança viária, preservação de vidas e menor impacto ambiental”, afirmou Pereira.

O Estudo de Impacto Ambiental também destaca a redução de ruídos com a substituição parcial do transporte rodoviário.

Embora o transporte ferroviário esteja suspenso, o projeto prevê a construção de um novo terminal de embarque (pera ferroviária) às margens da ferrovia, indicando a intenção de retomar a modalidade no futuro. A malha ferroviária deve passar por nova licitação em novembro.

A estrutura será a primeira correia transportadora de longa distância utilizada no setor de mineração em Mato Grosso do Sul, embora já existam sistemas semelhantes em estados como Minas Gerais e Pará.

Compensação ambiental e geração de empregos

Publicação no Diário Oficial desta quarta-feira (11) informa que a LHG repassará mais de R$ 53,2 milhões ao Estado a título de compensação ambiental pela ampliação das atividades. O valor corresponde a 1,32% do investimento total previsto, já que a mineração é considerada atividade de alto potencial poluidor.

Após a conclusão da ampliação, a expectativa é que o número de empregos diretos passe de 969 para 1.520 trabalhadores, com a contratação de 551 novos profissionais nas áreas administrativa e operacional.

Durante o pico das obras, no entanto, a geração de empregos será ainda maior: cerca de 4.300 trabalhadores deverão atuar na implantação do projeto, com estrutura de alojamento para 2.600 operários na área da mineração.

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