Durante o Carnaval, a combinação de festa, barulho, calor e multidões pode parecer divertida para quem leva cães aos blocos, mas para os animais o cenário é estressante e potencialmente perigoso. Mesmo sem sinais imediatos de incômodo, o ambiente carnavalesco provoca um bombardeio sensorial que começa na audição ultrassensível dos pets e pode chegar a colapso em casos extremos.
O médico veterinário Antonio Defanti Júnior explica que sons de instrumentos, aglomeração de pessoas, fantasias e odores fortes, como álcool e suor, ativam o eixo do estresse nos cães, elevando os níveis de cortisol. Entre os sintomas estão taquicardia, respiração acelerada, tremores, diarreia, vômito e até colapsos.
Além disso, há riscos físicos: latas amassadas no chão podem cortar patas, e a movimentação intensa aumenta a probabilidade de fugas e atropelamentos.
“Só seria aceitável levar o animal se o evento fosse pet friendly, controlado, em espaço aberto, com pouco barulho, aglomeração mínima e em horários mais frescos. Mesmo assim, a supervisão deve ser constante”, alerta o veterinário da clínica Bourgelat.
Raças braquicefálicas, como Pugs e Bulldogs, são ainda mais vulneráveis, já que o calor da cidade pode desencadear hipertermia, potencialmente fatal.
A recomendação é simples: melhor deixar o pet em casa, seguro e confortável, do que arriscar transformar a folia em estresse ou perigo.
Para quem não quer deixar de registrar a festa com os cães, Defanti sugere alternativas seguras: blocos específicos para pets ou mesmo criar um mini Carnaval em casa, com fantasias e fotos divertidas, garantindo diversão sem riscos.
“Os animais gostam de estar com seus tutores, mas não gostam de barulho, movimentos bruscos e aglomerações. Isso foge do cotidiano deles e gera estresse”, completa o veterinário.



