O trio Gilsons dá um passo decisivo na própria trajetória com o lançamento do segundo álbum de estúdio, “Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão”, disponibilizado ao público às 15h do dia 3 de março. Em um trabalho coeso, poético e musicalmente refinado, o grupo transforma luto e resiliência em arte luminosa.
Formado no Rio de Janeiro em 2018 por Francisco Gil, João Gil e José Gil, o trio reafirma a identidade construída na estreia, mas amplia horizontes sonoros e aprofunda a pesquisa estética. “A gente quis dar um passo à frente sem perder a nossa gênese”, contextualiza José Gil, produtor musical do disco. A audição confirma que a afirmação está longe de ser mero discurso promocional.
Entre herança e renovação
A influência de Gilberto Gil, patriarca da família e referência maior da música brasileira, surge de forma orgânica e elegante. O violão que conduz “Visão”, composição de Francisco Gil que abre o álbum, traz nuances de ijexá e já apresenta o verso que dá título ao trabalho: “Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão”.
A herança da MPB se manifesta também em “Semeia”, de Gus Levy, e em “Zumbido”, assinada por João Gil. As duas faixas ganham densidade com arranjos de sopros sofisticados, orquestrados por Diogo Gomes e Thiago Queiroz, respectivamente, ampliando a paleta sonora do trio sem descaracterizar sua essência.
Coesão estética e conexão geracional
O grande mérito do álbum está na capacidade de dialogar com o público jovem sem abdicar das referências clássicas da música brasileira. Os Gilsons refinam o som, equilibrando leveza e lirismo, e entregam um repertório que soa contemporâneo, mas enraizado em tradição.

Há uma unidade estética clara: o disco flui como uma narrativa contínua, sustentada por arranjos elegantes, harmonias bem trabalhadas e letras que apostam na esperança como resposta a tempos difíceis. É um trabalho que transmite maturidade artística, tanto na produção quanto na interpretação.
Com cinco estrelas de cotação, “Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão” consolida os Gilsons como um dos nomes mais relevantes da nova geração da música brasileira, capazes de honrar o legado familiar enquanto constroem, com personalidade própria, um caminho luminoso.



