Mercados asiáticos mostraram reação após recentes quedas, com investidores de olho no bloqueio de uma das principais rotas internacionais de petróleo.
Petróleo sobe com bloqueio do Estreito de Ormuz, enquanto bolsas globais apresentam recuperação
O petróleo registrou alta nesta quinta-feira (5), refletindo a preocupação dos investidores com o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte mundial de petróleo. Apesar da tensão, parte dos mercados globais mostrou recuperação após quedas acentuadas nos últimos dias, provocadas pelo conflito no Oriente Médio.
Mercados asiáticos se recuperam
Na Ásia, as bolsas reagiram positivamente:
- Seul (Kospi): disparou 9,63%, recuperando parte das perdas de mais de 12% registradas na quarta-feira (4). O governo sul-coreano anunciou a ativação de um fundo de estabilização de US$ 68 bilhões (R$ 356 bilhões) para apoiar o mercado financeiro e reduzir a volatilidade.
- Tóquio (Nikkei): subiu 1,9%, após queda de 3,61% na sessão anterior.
- Hong Kong: avançou 0,3%.
- Xangai: registrou alta de 0,6%, impulsionada pelo anúncio do governo chinês de meta de crescimento econômico entre 4,5% e 5%, a mais baixa em três décadas.
A melhora no humor dos investidores também foi influenciada pelo desempenho positivo de Wall Street na quarta-feira (4), com índices americanos subindo após divulgação de indicadores econômicos acima do esperado.
Bolsas europeias começam o dia com cautela
Na Europa, o início do pregão foi mais contido, com leves quedas:
- Londres: -0,26%
- Frankfurt: -0,58%
- Milão: -0,87%
- Paris: -0,31%
Petróleo continua pressionado
O mercado de petróleo permaneceu sensível às tensões no Oriente Médio:
- Brent: +2,33%, a US$ 83,30 o barril
- WTI: +2,97%, a US$ 76,88 o barril
O economista Jonas Goltermann, da Capital Economics, aponta que muitos investidores ainda acreditam que o conflito terá impacto limitado na economia global, semelhante ao observado em 2025. No entanto, ele alerta que o fechamento do Estreito de Ormuz e a propagação do conflito pela região podem gerar impactos mais graves do que o esperado.
Ataques a navios e consequências para o fornecimento
Os ataques a navios continuam: o petroleiro Sonangol Namibe, com bandeira das Bahamas, sofreu danos no casco após explosão próxima ao porto de Khor al Zubair, no Iraque. Cerca de 300 petroleiros permanecem parados no Estreito de Ormuz, aguardando condições seguras para navegar.
O conflito se intensificou em terra: na madrugada de quinta, o Irã lançou novos mísseis contra Israel, forçando milhões a buscar abrigo. Na quarta-feira, um submarino dos EUA afundou um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, resultando em pelo menos 80 mortes, enquanto sistemas de defesa da Otan interceptaram mísseis iranianos em direção à Turquia.
Analistas do J.P. Morgan alertam que o bloqueio do Estreito de Ormuz pode reduzir o fornecimento global de petróleo em cerca de 3,3 milhões de barris por dia. O Iraque já diminuiu a produção em 1,5 milhão de barris diários, e o Catar declarou força maior nas exportações de gás natural liquefeito, podendo levar cerca de um mês para normalizar a produção.
O cenário reforça a volatilidade nos mercados de energia e mantém investidores atentos às consequências da crise geopolítica na oferta global de petróleo.



