Um relatório da Comissão Seleta da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos sobre Competição Estratégica entre os Estados Unidos e o Partido Comunista Chinês aponta preocupação com a presença de infraestrutura espacial ligada à China na América Latina, incluindo duas instalações no Brasil.
O documento afirma que Pequim estaria utilizando projetos de cooperação tecnológica e científica na região para ampliar sua capacidade de coleta de informações e fortalecer o desenvolvimento militar do Exército Popular de Libertação. Segundo os deputados norte-americanos, essas estruturas fariam parte de uma rede global de defesa espacial que garante vigilância contínua e apoio a operações militares.
Entre os pontos citados no relatório está a Estação Terrestre de Tucano, localizada no estado da Bahia. A instalação foi criada a partir de um acordo firmado em 2020, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, entre a startup brasileira Alya Nanossatélites e a empresa chinesa Beijing Tianlian Space Technology. Os parlamentares destacam como motivo de preocupação o fato de a localização exata da estação não ser divulgada, além da existência de acordos de transferência de dados e tecnologia e da participação da Força Aérea Brasileira (FAB) no projeto.
Os deputados afirmam que o local poderia servir como ponto de rastreamento espacial, possibilitando à China acompanhar atividades no espaço e até influenciar o desenvolvimento da doutrina espacial militar brasileira.
Outra estrutura citada é um radiotelescópio em construção na Serra do Urubu, no sertão da Paraíba. O projeto faz parte de uma iniciativa científica internacional que envolve diversos países, como França e Reino Unido, e tem equipamentos em fase de fabricação e montagem em São Paulo. Radiotelescópios são utilizados para captar ondas eletromagnéticas provenientes do espaço, permitindo estudos sobre a formação e a evolução do universo.
No entanto, o relatório afirma que sensores desse tipo também poderiam detectar sinais emitidos por satélites e equipamentos militares, o que levanta preocupações relacionadas à chamada guerra eletrônica.
Intitulado “China em nosso quintal dos fundos: volume 2 – Puxando a América Latina para a órbita da China”, o documento reflete a visão de parte do Congresso norte-americano sobre a influência chinesa na região. A comissão, criada em 2023 e formada por parlamentares democratas e republicanos, tem como objetivo propor estratégias para enfrentar a crescente presença econômica e militar de Pequim.
Entre as recomendações apresentadas, o grupo sugere que o governo do presidente Donald Trump adote medidas para impedir a expansão de infraestrutura espacial chinesa no hemisfério ocidental. O relatório também pede a revisão de leis e procedimentos, além do fortalecimento das relações com países latino-americanos para reduzir a influência de Pequim na região.



