EUA defendem uso de força militar para combater cartéis de drogas na América Latina

O assessor de segurança interna da Casa Branca, Stephen Miller, afirmou nesta quinta-feira (5) que os cartéis de drogas na América Latina só podem ser derrotados por meio do uso de força militar. A declaração foi feita durante uma conferência com líderes militares latino-americanos realizada na sede do Comando Sul dos Estados Unidos, em Miami.

Segundo Miller, após décadas de tentativas baseadas em sistemas de justiça criminal, ficou claro que o problema do narcotráfico exige uma abordagem mais dura. Ele afirmou que a reunião contou com lideranças militares justamente porque, em sua avaliação, organizações criminosas desse tipo “só podem ser derrotadas com poder militar”.

A declaração evidencia uma mudança na política adotada pelo governo do presidente Donald Trump. Nos últimos meses, os Estados Unidos ampliaram suas ações contra o narcotráfico, incluindo operações contra embarcações suspeitas de transportar drogas, apoio ao México na captura de um importante chefe de cartel e operações na região do Caribe.

A estratégia, no entanto, tem gerado críticas. Especialistas jurídicos e políticos do Partido Democrata questionam a legalidade da política que equipara cartéis de drogas a organizações terroristas como Al-Qaeda e Estado Islâmico, o que permitiria o uso de força militar mais ampla.

A proposta também provocou desconforto entre alguns aliados tradicionais dos Estados Unidos na região. Países como a Colômbia não enviaram representantes para a conferência, demonstrando preocupação com a militarização do combate ao narcotráfico.

Durante o encontro, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, defendeu maior cooperação entre os países da região para enfrentar os cartéis. Ele destacou que as forças armadas americanas já estão colaborando com governos latino-americanos, como o do Equador, em operações contra o tráfico de drogas.

A conferência também serve como preparação para uma cúpula das Américas que será realizada em Miami neste fim de semana, na qual o governo Trump pretende discutir segurança regional e ampliar alianças políticas na região.

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