Cultura em alta: setor emprega 5,9 milhões de brasileiros e movimenta quase 3% do PIB.

O setor cultural brasileiro alcançou um marco histórico em 2024 ao registrar 5,9 milhões de pessoas empregadas, o equivalente a 5,8% de toda a força de trabalho do país. Além do impacto social, a área também demonstrou grande relevância econômica ao gerar R$ 387,9 bilhões em valor adicionado, número que representa quase 3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística durante a quinta edição dos Diálogos do Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC), realizada em 2026. A série histórica, iniciada em 2014, aponta que o resultado representa o maior nível de empregos já registrado no setor cultural brasileiro.

Economia criativa impulsiona renda e produção

O levantamento também revela o forte peso econômico das atividades culturais. Somente em 2023, as empresas e profissionais ligados ao setor registraram R$ 910,6 bilhões em receita líquida. Áreas como internet, desenvolvimento de software e publicidade aparecem entre as que mais contribuíram para esse desempenho.

O valor adicionado de R$ 387,9 bilhões reforça a cultura como um segmento estratégico da economia brasileira, capaz de gerar renda, movimentar cadeias produtivas e impulsionar a chamada economia criativa.

Profissionais mais qualificados que a média nacional

Outro dado relevante do estudo é o alto nível de escolaridade dos trabalhadores da cultura. Cerca de 30,1% possuem ensino superior completo, índice significativamente acima da média geral do mercado de trabalho brasileiro, que é de 23,4%.

A pesquisa também mostra uma presença expressiva de trabalhadores autônomos. Quase 2 milhões de profissionais atuam de forma informal, muitos deles registrados como microempreendedores individuais (MEIs), realidade comum em áreas como produção artística, audiovisual, design e eventos.

Desigualdade salarial ainda persiste

Apesar do crescimento do setor, a desigualdade de gênero continua sendo um desafio. As mulheres representam uma parcela significativa da força de trabalho cultural, mas ainda recebem salários menores em comparação aos homens. Segundo os dados, a remuneração média feminina no setor é de aproximadamente R$ 3.898.

Concentração regional

A distribuição dos empregos culturais também revela forte concentração regional. Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará lideram a participação no mercado de trabalho cultural.

Entre as capitais brasileiras, cidades como Florianópolis, São Paulo e Manaus aparecem como destaques na geração de empregos ligados à cultura e à economia criativa.

Cultura como motor de desenvolvimento

Os números apresentados pelo IBGE reforçam o papel estratégico da cultura não apenas como expressão artística e identidade social, mas também como importante motor de desenvolvimento econômico. Com milhões de trabalhadores e forte capacidade de geração de renda, o setor cultural consolida-se como uma das áreas mais dinâmicas da economia brasileira.

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