Moraes manda prender contador suspeito de integrar esquema de venda de dados fiscais de autoridades

Investigação aponta que grupo acessou ilegalmente informações sigilosas de 1.819 pessoas, entre elas familiares de ministros do STF e outras autoridades públicas.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decretou a prisão preventiva do contador Washington Travassos de Azevedo, apontado pela investigação como suspeito de participar de um esquema de obtenção e comercialização ilegal de dados sigilosos de autoridades brasileiras. Segundo informações divulgadas a partir da investigação, ele é tratado como um dos possíveis articuladores da cadeia de acesso a dados fiscais protegidos por sigilo funcional.

A apuração ganhou força após a Polícia Federal identificar a existência de uma base de dados não oficial, abastecida com acessos indevidos a sistemas governamentais e privados. De acordo com a PF, a Operação Dataleaks foi deflagrada para desarticular uma organização criminosa especializada na obtenção, adulteração, comercialização e disseminação ilícita de informações pessoais e sensíveis, inclusive de ministros do STF.

Segundo os elementos reunidos no caso, o grupo teria acessado dados da Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física de 1.819 pessoas, incluindo nomes ligados a ministros do STF, integrantes do Tribunal de Contas da União, deputados federais, ex-senadores, ex-governador, dirigentes de agências reguladoras, empresários e outras figuras públicas. O caso elevou o grau de preocupação no Judiciário e reforçou a gravidade do uso clandestino de informações fiscais protegidas por lei.

A investigação também é tratada como um desdobramento das apurações sobre vazamentos de dados da Receita Federal envolvendo autoridades. Em fevereiro, por determinação do STF e a partir de representação da Procuradoria-Geral da República, a Polícia Federal já havia cumprido quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, além de medidas cautelares como afastamento de função pública, tornozeleira eletrônica, cancelamento de passaportes e proibição de saída do país.

Em nota oficial, a Receita Federal afirmou que não tolera desvios relacionados ao sigilo fiscal e informou que o STF pediu, em 12 de janeiro de 2026, uma auditoria nos sistemas do órgão para rastrear acessos indevidos a dados de ministros da Corte, parentes e outras autoridades nos últimos três anos. O Fisco disse ainda que os sistemas são totalmente rastreáveis e que desvios já identificados foram comunicados ao relator no Supremo.

A Receita também destacou que reforçou os controles de acesso desde 2023 e que concluiu sete processos disciplinares no período, com três demissões e sanções em outros casos. Agora, com a prisão preventiva do contador, a investigação entra em uma nova etapa e amplia a pressão sobre os envolvidos em um esquema que atingiu diretamente o sigilo fiscal de pessoas ligadas ao núcleo mais sensível das instituições brasileiras.