Diretor-geral afirma que a corporação “não protege nem persegue”, defende operações sensíveis e cobra medidas para frear a saída de servidores para outras carreiras.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, fez nesta segunda-feira, 30 de março de 2026, uma defesa enfática da atuação da corporação e afirmou que a instituição tem sido alvo de ataques “covardes e vis” por conduzir investigações de forma técnica e independente. Durante evento pelos 82 anos da PF, em Brasília, ele declarou que, na atual gestão, não houve qualquer direcionamento político ou ideológico de apurações.
No discurso, Andrei reforçou uma das frases que tem repetido à frente da corporação: “a Polícia Federal não protege e nem persegue”. Segundo ele, a atuação dos investigadores é pautada por isenção, legalidade e compromisso institucional, mesmo em casos de grande repercussão nacional. Sem citar alvos específicos, o diretor-geral afirmou que parte das reações contra a PF nasce justamente do incômodo provocado por investigações que atingem interesses poderosos.
A fala ocorre em um momento de pressão política e institucional sobre a Polícia Federal, especialmente por causa de inquéritos de grande sensibilidade. Andrei disse que a corporação é criticada tanto pelo que faz quanto pelo que não fez, e sustentou que tentativas de enfraquecer as atribuições da PF interessam apenas a quem não quer uma polícia forte no combate ao crime e à corrupção.
Ao destacar resultados recentes, o diretor-geral mencionou investigações no sistema financeiro, incluindo o caso Banco Master, e atribuiu o avanço das apurações à cooperação entre a PF e o Banco Central. Ele também elogiou a postura técnica do presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmando que a integração entre órgãos públicos, sob os pilares da legalidade, é decisiva para alcançar resultados consistentes contra o crime organizado.
Além da defesa institucional, Andrei aproveitou o pronunciamento para tratar da situação interna da corporação. Segundo ele, a PF perdeu mais de 300 servidores, entre policiais e administrativos, para outras carreiras nos últimos três anos. O diretor afirmou que o governo federal abriu canais de diálogo para discutir demandas da categoria e conter a evasão de quadros, tema que se tornou uma das principais preocupações da cúpula da instituição.
Nesse contexto, Rodrigues também indicou expectativa de avanço nas negociações salariais e de carreira. Relatos publicados nos últimos dias apontam que entidades ligadas à PF vinham pressionando o governo por uma resposta concreta ainda nesta segunda-feira, com ameaça de endurecimento do movimento caso não houvesse sinalização.
Ao juntar defesa pública das investigações, recado contra ataques e cobrança por valorização interna, Andrei Rodrigues tentou passar uma mensagem dupla: de um lado, blindar a imagem de independência da Polícia Federal; de outro, mostrar que o fortalecimento da corporação também depende de carreira atrativa e retenção de servidores. A fala reforça a tentativa da direção de vincular autonomia investigativa e estrutura institucional como partes da mesma agenda. Essa última avaliação é uma inferência a partir do conteúdo do discurso e do contexto das cobranças salariais.



