Nomeação foi oficializada nesta sexta-feira; novo ministro terá pela frente meta fiscal, transição da reforma tributária e pressão da alta do petróleo
Dario Durigan é o novo ministro da Fazenda. A troca no comando da equipe econômica foi oficializada nesta sexta-feira (20), com a saída de Fernando Haddad, que deixa o cargo para disputar as eleições deste ano em São Paulo. A substituição já havia sido antecipada por Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira (19), durante evento em São Paulo, quando o presidente apresentou Durigan como sucessor de Haddad.
Até aqui secretário-executivo do Ministério da Fazenda, posto que ocupava desde junho de 2023, Durigan chega ao cargo com a missão de preservar a linha da política econômica do governo em um momento de forte sensibilidade política e fiscal. Em seu currículo oficial, ele também registra passagens pela AGU, pela Casa Civil, pela Prefeitura de São Paulo e pela direção de políticas públicas do WhatsApp no Brasil e na região.
Advogado formado pela Faculdade de Direito da USP, com mestrado pela UnB, o novo ministro construiu perfil técnico e de articulação nos bastidores. A escolha sinaliza continuidade dentro da Fazenda, já que Durigan vinha atuando como principal auxiliar de Haddad nas negociações econômicas e em temas estratégicos do governo.
No novo posto, Durigan assume uma agenda pesada. O Orçamento de 2026 foi enviado ao Congresso com meta de superávit primário de 0,25% do PIB, equivalente a R$ 34,3 bilhões, dentro das regras do arcabouço fiscal. Na prática, o novo ministro terá de equilibrar pressão por gastos, limitações impostas pela regra fiscal e a necessidade de sustentar a narrativa de responsabilidade nas contas públicas em meio ao calendário eleitoral.
Outro desafio central será a reforma tributária do consumo. Em 2026, começa o ano-teste da CBS e do IBS, etapa decisiva para a transição do novo sistema, enquanto 2027 marcará a cobrança da CBS e a instituição do Imposto Seletivo sobre bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. O tema tende a ganhar ainda mais peso político porque mexe com preços, setor produtivo e arrecadação.
Durigan também assume a Fazenda sob pressão externa. O avanço da guerra no Oriente Médio elevou a tensão sobre energia e inflação, com o petróleo superando a marca de US$ 100 por barril nos últimos dias. Em resposta, o governo já anunciou medidas emergenciais para tentar conter o repasse aos combustíveis, entre elas a zeragem de PIS/Cofins sobre o diesel e negociações com distribuidoras e estados.
A saída de Haddad encerra um ciclo iniciado no começo do atual governo, marcado pela aprovação do novo arcabouço fiscal, pelo avanço da reforma tributária e por mudanças no Imposto de Renda. Agora, Durigan assume com a tarefa de manter a estabilidade da equipe econômica e, ao mesmo tempo, responder a um ambiente mais duro, em que mercado, Congresso e campanha eleitoral devem pressionar a Fazenda em todas as frentes.



