Embaixador afirma que cargas já foram despachadas e diz que contratos firmados com empresas brasileiras não sofrerão interrupções
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou nesta terça-feira (31) que os fertilizantes adquiridos por empresas brasileiras não enfrentarão obstáculos para serem exportados ao país, mesmo diante do cenário de instabilidade no Oriente Médio. A declaração busca reduzir a preocupação do agronegócio brasileiro, altamente dependente de insumos importados para sustentar a produção agrícola.
Segundo o diplomata, o Irã retomou há alguns meses a exportação de ureia para o mercado brasileiro por meio de algumas empresas e, até o momento, não há qualquer impedimento para o embarque das cargas já negociadas. Ele destacou, inclusive, que parte desses volumes já foi enviada ao Brasil.
A fala ocorre em um momento de atenção redobrada do setor produtivo, uma vez que o Oriente Médio ocupa posição estratégica no comércio internacional de fertilizantes. Embora a região apareça como a quarta maior fornecedora de fertilizantes químicos ao Brasil, atrás de Europa, Ásia e África, sua relevância global é muito maior quando se observa produtos específicos, como a ureia e a amônia.
Especialistas apontam que o Oriente Médio responde por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia e por 28% das vendas externas de amônia, o que torna qualquer sinal de instabilidade geopolítica um fator de alerta para países importadores como o Brasil. Ainda assim, no recorte das compras brasileiras de 2025, o Irã teve participação modesta nas importações de ureia, respondendo por cerca de 2% do total, atrás de fornecedores como Nigéria, Rússia e Catar.
Mesmo com presença limitada nas estatísticas oficiais, analistas observam que o produto iraniano pode chegar ao mercado brasileiro de forma indireta. Isso ocorre porque, alvo de sanções comerciais, o Irã frequentemente utiliza países vizinhos como intermediários nas negociações internacionais, mecanismo que permite a redistribuição do fertilizante até seu destino final.
No calendário agrícola brasileiro, a demanda por fertilizantes varia conforme a cultura e o período de plantio. Adubos fosfatados e potássicos costumam ganhar maior relevância entre maio e julho, especialmente para a soja. Já os nitrogenados, como a ureia, passam a ser mais procurados entre novembro e janeiro, quando produtores reforçam estoques para a safra de milho.
A dependência externa segue como um dos principais pontos de vulnerabilidade do agronegócio nacional. Nesse contexto, especialistas avaliam que o Brasil pode recorrer a outros grandes fornecedores, como o Canadá, caso haja necessidade de compensar eventuais oscilações no fluxo vindo do Oriente Médio.
Ainda assim, a sinalização do governo iraniano é vista como um fator de alívio para o mercado. Em meio a um cenário internacional sensível, a garantia de continuidade nos embarques ajuda a reduzir incertezas e traz alguma estabilidade para um setor essencial à economia brasileira.



