A partir das 16h de sexta-feira, o corpo do renomado escritor António Lobo Antunes ficará em câmara ardente na Igreja de Santa Maria de Belém, localizada no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. O funeral está marcado para sábado, data em que o Governo decretou Luto Nacional em homenagem à vida e obra do autor.
António Lobo Antunes, considerado um dos maiores nomes da literatura portuguesa contemporânea, será lembrado não apenas por seus romances profundos e inovadores, mas também pelo impacto cultural que deixou no país e no cenário literário internacional.
A cerimônia nos Jerónimos permitirá que familiares, amigos, admiradores e representantes institucionais prestem suas últimas homenagens, reforçando a importância de sua trajetória artística e a influência duradoura de seus escritos na literatura portuguesa.

Sábado é dia de Luto Nacional em memória de António Lobo Antunes, decisão aprovada pelo Conselho de Ministros. De acordo com a agência funerária responsável, as cerimónias fúnebres realizam-se a partir das 10h00, com a celebração de uma missa de corpo presente, pelas 12h00, após a qual o funeral seguirá para o Cemitério de Benfica, em Lisboa.
António Lobo Antunes morreu esta quinta-feira, aos 83 anos. Licendiado Medicina pela Universidade de Lisboa em 1969,especializou-se em Psiquiatria, e mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda. Mas em 1985, optou pela escrita a tempo inteiro para combater a depressão que dizia ser comum a todas as pessoas.
O seu primeiro livro, “Memória de Elefante”, surgiu em 1979, logo seguido de “Os Cus de Judas”, no mesmo ano, sucedendo-se “Conhecimento do Inferno”, em 1980, e “Explicação dos Pássaros”, em 1981, obras marcadas pela experiência da guerra e pelo exercício da Psiquiatria, que depressa o tornaram um dos autores mais lidos em Portugal.
Duas vezes distinguido com o Grande Prémio de Romance e Novela da APE, recebeu também o Prémio D. Diniz da Fundação Casa de Mateus (“Exortação aos crocodilos”, 1999), o Prémio Fernando Namora (“Boa tarde às coisas aqui em baixo”, em 2004), o Prémio Alberto Pimenta de carreira, do Clube Literário do Porto (2008), o Prémio Autores (“Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar”, 2010), o Prémio Literário Fundação Inês de Castro (“O tamanho do mundo”, 2023), entre outros.
Foi Prémio Camões em 2007 e, no ano seguinte, venceu o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas, tornando-se no primeiro português a conquistar esta distinção.
Vai ser também atribuído ao escritor uma condecoração póstuma com o Grande-Colar da Ordem de Camões, por serviços relevantes à língua portuguesa e à projeção da cultura lusófona no mundo.



