Em ato de pré-campanha de Haddad, presidente diz que oposição tenta empurrar rombo do banco para o PT, defende apuração total do caso e ainda abre espaço para Alckmin decidir entre vice e Senado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom político ao comentar o escândalo do Banco Master e afirmou que o caso é o “ovo da serpente” do governo de Jair Bolsonaro e da gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central. A declaração foi dada na noite de quinta-feira (19), durante o evento do PT que lançou a pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. Na fala, Lula disse que adversários tentam jogar sobre o PT a responsabilidade pelo rombo envolvendo a instituição financeira.
No discurso, o presidente afirmou que o Master “é obra” de Bolsonaro e de Campos Neto e prometeu apuração até o fim. Ao tratar do tema em tom de enfrentamento político, Lula buscou associar o escândalo ao campo bolsonarista num momento em que o caso se expande e ameaça contaminar a disputa eleitoral de 2026.
O caso Master, porém, já ultrapassou a retórica de palanque. Daniel Vorcaro, dono do banco, foi preso novamente no início de março no âmbito da Operação Compliance Zero, em uma investigação que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, fraude financeira e tentativa de influência sobre agentes públicos. Segundo a Reuters, o banco foi liquidado após forte deterioração financeira e graves irregularidades, e a crise já atingiu também ex-dirigentes do Banco Central.
Ao levar o tema para o centro do discurso político, Lula tenta inverter a pressão e se antecipar ao uso eleitoral do escândalo pela oposição. A estratégia do Palácio do Planalto é deixar claro que o governo quer se descolar da origem do caso e enquadrá-lo como herança institucional do período anterior. Esse movimento acontece enquanto a investigação segue avançando sobre relações entre o banco, autoridades e operadores políticos em Brasília.
No mesmo evento, Lula também falou sobre o papel de Geraldo Alckmin na eleição deste ano. Disse que ficaria “imensamente feliz” em tê-lo novamente como vice, mas afirmou que a definição dependerá de conversas políticas para avaliar se o atual vice-presidente ajudaria mais compondo a chapa presidencial ou disputando o Senado por São Paulo.
O presidente ainda aproveitou o discurso para renovar críticas ao Conselho de Segurança da ONU, afirmando que os cinco membros permanentes agem como “donos do mundo” e acabam agravando conflitos que repercutem diretamente sobre países como o Brasil, inclusive no preço dos combustíveis. A fala conectou o cenário internacional ao ambiente econômico e eleitoral doméstico, reforçando o tom de campanha adotado por Lula no evento.



