Abiec aponta queda na demanda por carne bovina após cotas da China e medidas da União Europeia

A demanda internacional por carne bovina brasileira registrou desaceleração após a adoção de novas restrições comerciais pela China e pela União Europeia. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (5) pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, durante o Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs), realizado em São Paulo. Segundo […]

A demanda internacional por carne bovina brasileira registrou desaceleração após a adoção de novas restrições comerciais pela China e pela União Europeia.

A avaliação foi feita nesta quarta-feira (5) pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, durante o Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs), realizado em São Paulo.

Segundo o dirigente, as mudanças impostas por importantes mercados compradores têm afetado o ritmo das exportações brasileiras e exigido ajustes por parte da indústria frigorífica.

Cotas da China reduziram o ritmo das exportações

Desde o início de 2026, a China passou a adotar um sistema de cotas para a importação de carne bovina de seus parceiros comerciais.

Dentro do limite estabelecido, as exportações ficam isentas de tarifas adicionais. No entanto, os embarques que ultrapassam a cota passam a ser tributados com uma tarifa extra de 55%.

No caso do Brasil, a cota anual de 1,1 milhão de toneladas está próxima do limite, reduzindo a competitividade dos embarques excedentes.

Frigoríficos adotam medidas para equilibrar a produção

Com a desaceleração das vendas ao mercado chinês, alguns frigoríficos brasileiros adotaram férias coletivas em determinadas unidades industriais.

A medida busca ajustar a produção ao novo cenário de demanda internacional e evitar excesso de oferta no mercado.

O setor acompanha a evolução das exportações e avalia estratégias para minimizar os impactos provocados pelas restrições comerciais.

União Europeia também influencia o mercado

Durante o evento, Roberto Perosa criticou medidas adotadas pela União Europeia, classificando algumas exigências como barreiras comerciais apresentadas sob justificativas sanitárias.

Segundo ele, essas exigências dificultam o acesso da carne brasileira ao mercado europeu e afetam a competitividade dos exportadores nacionais.

Mercado asiático segue como prioridade

Apesar das dificuldades enfrentadas neste momento, a Abiec afirma que o mercado asiático continua sendo o principal destino estratégico para a carne bovina produzida no Brasil.

A entidade avalia que a região continuará concentrando grande parte da demanda mundial por proteína animal nos próximos anos, mantendo sua importância para o agronegócio brasileiro.

Setor acompanha cenário internacional

Durante o Salão Internacional de Proteína Animal, representantes da indústria destacaram que o comércio global passa por um período de mudanças, marcado pelo aumento de barreiras comerciais e pela revisão de políticas de importação em diversos países.

Mesmo diante dos desafios, o setor acredita que a diversificação de mercados e a manutenção dos padrões sanitários brasileiros serão fundamentais para preservar a competitividade das exportações de carne bovina no cenário internacional.