O ator neozelandês Sam Neill, que morreu aos 78 anos nesta segunda-feira (13), permaneceu livre do câncer até o fim da vida graças à terapia CAR-T, um tratamento inovador que utiliza células do próprio sistema imunológico para combater tumores. A informação foi confirmada pela família do artista, que não divulgou a causa da morte.
Neill conviveu por cerca de cinco anos com um linfoma não Hodgkin. Após a quimioterapia deixar de controlar a doença, ele foi submetido à terapia celular e entrou em remissão, permanecendo sem sinais do câncer até seus últimos dias.
Considerada uma das maiores revoluções recentes da oncologia, a terapia CAR-T consiste na retirada dos linfócitos T — células de defesa do organismo — que são modificados geneticamente em laboratório para reconhecer e destruir células cancerígenas. Depois de multiplicadas, essas células são reinfundidas no paciente, passando a atuar de forma direcionada contra o tumor.
Atualmente, o tratamento é indicado principalmente para pacientes com alguns tipos de câncer do sangue, como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo, especialmente quando a doença não responde mais às terapias convencionais ou retorna após o tratamento.
Embora já esteja disponível no Brasil, o acesso à CAR-T ainda é limitado. O alto custo, que pode variar entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões por paciente, além da necessidade de centros altamente especializados, faz com que poucos brasileiros consigam receber a terapia.
Nos últimos meses, no entanto, pesquisadores brasileiros apresentaram resultados promissores com versões nacionais da CAR-T. Estudos conduzidos pela Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Butantan, e pelo Hospital Israelita Einstein mostraram altas taxas de resposta em pacientes com linfomas e leucemias avançadas, abrindo caminho para uma futura incorporação da tecnologia ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Especialistas destacam que o principal desafio agora é ampliar o acesso ao tratamento. Para isso, será necessário concluir as etapas regulatórias junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), definir modelos de financiamento e ampliar o número de hospitais capacitados para produzir e aplicar a terapia.
Enquanto esse processo avança, a CAR-T continua sendo uma alternativa promissora para pacientes com cânceres hematológicos agressivos, oferecendo a possibilidade de remissões prolongadas e, em alguns casos, do desaparecimento completo da doença — como ocorreu com Sam Neill.





